Jamais serei como as folhas secas que caem mortas no chão... Voarei por entre os ciprestes e chegarei a um lugar onde talvez ninguém me encontre, não importa. Recuso-me permanecer no ponto de partida; prefiro a solidão à mesmice.

segunda-feira, outubro 26, 2009

Quanto me queres?


 


Quanto me queres?
Me queres tua?
Não esperes, senhor.
Me queres perdida?
Não creias, senhor.
Me queres enamorada? 
Me queres enternecida?
Porquê queres tudo e não queres nada?
Roubando-me a mocidade já perdida
Sugando-me a razão,
Sem me contar a verdade sobre a tua vida tacanha
Teus erros infames...
E me transportas a esse vão
Onde o teu desejo doentio  me desarma,  me domina
Me deixa sob as tuas mãos tortuosas
Portando-me à loucura e ao martírio
Penetrando-me com teu perfume prosaico
Violentando-me com tuas palavras atrozes e lascivas
Tão submissa
Gozando e odiando aquele átimo de intimidade
Alimento dos meus dias.
E mesmo abominando a tua pérfida presença
Não posso dizer que não te amo.
Quanto me queres?

Um comentário:

Sophie disse...

Belo poema, expressas de alguma forma nossa alma submissa.